quarta-feira, 18 de julho de 2012

Nada que fizesse poderia mudar o mundo


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*Tock, Tock*
A porta foi se abrindo lentamente, e um vulto apareceu, Marie não conseguia identificar quem era devido sua visão ofuscada.
-  Marie, levante, está na hora de ir para escola. – disse a mãe empurrando Marie da cama.
- Já vou levantar, me dê apenas um tempo. – respondeu.
- Está bem, mas ande logo!
- Certo.
A mãe fechou a porta, Marie se virou na cama, e começou a encarar o teto, mesmo não conseguindo identificar nada. Seria mais um dia normal na sua vida, nada iria mudar, iria à escola, prestaria atenção nas aulas, evitaria o máximo o contato com os ‘colegas de classe’, ela não se importava de seguir a mesma rotina todos os dias, só ficava cansada de ver os mesmos rostos e os dizeres da mãe que há atormentavam todo dia de noite – “Você não faz nada para me ajudar” – e o que ela poderia fazer, era apenas uma garota em busca de reconhecer que não tinha futuro na vida, e que nada que fizesse poderia mudar o mundo.
Decidiu se levantar, despiu-se e começou a revirar o quarto em busca dos trajes escolares, quando finalmente os encontrou, perdera a força de vontade de ir para aquela instituição de ensino, queria ficar o dia inteiro na cama. Mas, já que sua mãe iria atormentá-la em casa o dia inteiro, ela não tinha opção. Pegou sua mochila que estava jogada na cama, verificou o material e saiu do quarto, nem se preocupou em arrumar o cabelo, isso não fazia a menor diferença, tudo o que ela queria era evitar o máximo se encaixar na sociedade.
Ao chegar à escola, desviou-se o máximo dos garotos e garotas que a encaravam comentando sobre sua aparência, decidiu parar um pouco e escutar, apenas ouvia: “Olhe o cabelo dela” e “O que essa aberação faz aqui?”, é claro que isso tinha algum significado para Marie, isso ajudava a evitar contato com qualquer outro indivíduo.
Estava sentada na sala de aula, esperando a chegada do professor, quando decidiu pensar um pouco sobre seu futuro, e se realmente ela não causaria impacto nele. Mas, nunca encontrava uma resposta, ela não era burra, tinha conhecimento de vários assuntos, mas por mais que ela os admirasse eles não tinham fundamento nenhum na sociedade, estudar o poder cerebral de alguém nunca iria virar uma profissão. Respirou fundo, olhou para o lado, e começou a admirar a paisagem que a sala de aula proporcionava. Havia uma janela ali e era perfeita para alguém que não queria saber de nada.
Durante a aula, vários alunos começaram a perturbá-la, começaram com papéis percorrendo a sala de aula sobre sua aparência, ela não ligou, mas, no momento que começaram a jogar objetos nela, ela se irritou, e saiu da sala, devido ser menor de idade o professor a questionou antes de seu retiro, ela apenas o fixou no olhar e disse:
- Se o senhor não consegue controlar o comportamento de seus próprios alunos durante as aulas, então não me controle.
Todos ficaram quietos. Marie estava vermelha, quase explodindo de raiva, e se retirou da sala. Seguiu em direção ao banheiro e começou a bater no que via em sua frente, estava muito nervosa, durante a vida aguentou todos aqueles vermes falando dela, falando sobre sua aparência, sendo que eles mesmos eram os piores seres que existiam na face da terra, algumas meninas sonhavam tão alto que só sabiam dar a genitálias para qualquer um que aparecesse na sua frente, em uma tentativa frustrada de arrancar algum bem de valor do rapaz.
Marie sentou no chão do banheiro, começou a pensar, que talvez a sua meta nesse planeta seja eliminar todos aqueles que não tenham o que oferecer a ele, incluindo si mesma.
No intervalo, sentou-se num corredor da escola, geralmente frequentado pelos mais populares da escola. Começou a observar o movimento, mexeu na sua bolsa, e pegou algo que havia preparado para eles, era uma bomba de gás, não causaria danos, apenas faria com que tivessem dores terríveis nos olhos, o que faria com que eles rolassem devido à dor, talvez alguns pudessem contrair sequelas depois disso. Já que era crime o porte de arma em uma escola, ela se levantou, armou um relógio na bomba de gás, deixou a bolsa no chão, e foi andando em direção a sala de aula.
A vista da janela a chamava cada vez mais, abriu o enorme vidro, sentou na beirada, e só consegui ouvir a voz do professor:
- O que está fazendo Marie? Saia daí imediatamente.
Como resposta ela apenas sorriu, e se jogou do 6° andar. “Com um impulso que durou um átimo, eu caí em queda livre, e enquanto caía, o aperto no coração foi sumindo, e só pela liberdade da queda, aquela ação já tinha valido a pena” era o que pensava, quando estava no chão, com a perna quebrada. O último som que ouviu, foi o alarme da escola, alertando sobre fumaça, a bomba havia funcionado. Em seguida, fechou seus olhos, com um belo sorriso no rosto.

122ª Edição Conto/História®:
Tema: "Com um impulso que durou um átimo, eu caí em queda livre, e enquanto caía, o aperto no coração foi sumindo, e só pela liberdade da queda, aquela ação já tinha valido a pena."

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